Campo de treinamento - Vencedor Pela Palavra

Campo de treinamento

Publicado em 2 de jun. de 2026


Campo de treinamento



Campo de treinamento


​Lucas 2:52: "E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens".


​Nesse texto do livro de Lucas, capítulo dois, do versículo trinta e nove ao versículo cinquenta e dois (Lucas 2:39-52), podemos observar a história do menino Jesus e o quanto Ele era dedicado aos assuntos concernentes ao Reino de Deus. O texto nos mostra que Jesus, aos doze anos de idade, estava assentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. E todos que O ouviam se admiravam muito da Sua inteligência e das Suas respostas (Lucas 2:46-47).


​Jesus foi criado para um propósito específico, propósito esse que ninguém mais poderia cumprir. O que me leva a entender que não adianta fazermos birra querendo fugir do chamado divino, ou ainda olharmos para os dons e talentos dos outros, cobiçando tais dons e talentos e esquecendo-nos daquilo que está sobre nós, porque viemos à Terra com uma missão feita sob medida para que possamos cumpri-la.


​Essa missão arde aqui dentro do nosso coração. Ela é mais forte do que nós. O propósito que Deus estabeleceu está entranhado em nosso DNA. Não adianta querermos "chutar o balde"! Não adianta fugirmos dele. E quantas vezes já não dissemos: "Cansei! Não dá mais! Eu estou exausto!"? Isso acontece por causa das pressões que o chamado proporciona. E, quando menos esperamos, lá estamos novamente fazendo aquilo que, justamente, dissemos que largaríamos.


​Eu entendo que todo processo que existe nos leva para um campo de treinamento. É fato que todos nós nascemos com um propósito, mas não o exercemos em sua totalidade até que sejamos treinados para vivenciar aquilo que nascemos para fazer.


​E, se existe algo desafiador e que deve dar um nó na mente de muita gente, é ter uma promessa grandiosa para o futuro, mas, ao mesmo tempo, ter que conviver com o processo doloroso do presente. Veja, por exemplo, Davi: foi ungido rei de Israel (1 Samuel 16:13), mas, logo depois da unção, teve que voltar a fazer o que executava todos os dias: apascentar ovelhas (1 Samuel 16:19).


​Com Jesus não foi diferente. Ele sabia quem era em Deus, entendia o Seu chamado e missão na Terra, mas apenas deu início ao Seu ministério com trinta anos (Lucas 3:23). Jesus teve que passar pela fase da preparação e espera até exercer aquilo que o Pai havia determinado para que Ele executasse. Existe algo de poderoso neste ensino: o nosso lugar de treinamento no presente aponta, muitas vezes, para o destino profético que foi decretado ao nosso respeito no futuro.


​Porque nunca Deus entregará em nossas mãos a grandiosidade de um propósito sem que o nosso interior esteja apto e estruturado para suportar as pressões que acompanham esta nova fase (Provérbios 25:4; Mateus 4:1-11).


​É por isso que, a cada novo projeto de Deus e a cada nova fase que os céus desejam que executemos, existe um campo de treinamento, onde seremos expostos e levados, muitas vezes, ao limite. Isto não muda: tem propósito? Tem treinamento. Vai ser levantado por Deus numa nova área? Tem treinamento do céu na terra para aperfeiçoamento.


​Somente aqueles que aceitam a provação, com mansidão e humildade, e de bom grado passam pelo processo, sabendo que estão em treinamento, são os mesmos que, depois de serem aprovados, receberão o que lhes está designado e preparado pelo Pai (Tiago 1:2-4; 1:12).


​O que precisamos entender é que, para pegarmos o diploma de formados na escola do Eterno, leva tempo, porque, antes de sermos formados, seremos forjados até que possamos estar devidamente ensinados pelas circunstâncias que Deus nos permitiu atravessar e vencer.


​É por isso que maturidade nada tem a ver com idade. Até porque existem homens avançados em idade cuja mentalidade e maturidade não condizem com a idade que têm. E há jovens, e mesmo adolescentes, cuja mentalidade e maturidade superaram a muitos (1 Timóteo 4:12).


​Porque maturidade nos remete àquilo que passamos e vencemos. De que nos serve passar pelos desertos da vida e nada aprendermos? É preciso que aquilo que enfrentamos seja convertido em conhecimento e aprendizado. São situações em que éramos aprendizes e que hoje, com a experiência, até podemos aconselhar a outros que passam pelas mesmas circunstâncias que anteriormente superamos (2 Coríntios 1:4).


​Forjado significa: [ferro fundido e malhado na forja até tomar determinada forma; ferro batido]. A ideia aqui é a de uma oficina onde os ferreiros e artífices trabalham o ferro ou outro metal pela ação do calor, utilizando instrumentos como a bigorna e o martelo. Ou seja, a imagem do “martelar como ferreiro” não é a tradução literal, mas é uma aplicação ilustrativa coerente com o conceito de progresso por impacto e esforço contínuo.


​A história bíblica aponta para homens e mulheres comuns que realizaram obras extraordinárias por meio do poder de Deus e deixaram um legado no mundo. No entanto, esses mesmos homens e mulheres precisaram ser treinados por meio das circunstâncias da vida até alcançarem seus propósitos.


​Muitas pessoas estão equivocadas ou mesmo perdidas em relação ao chamado de Deus para suas vidas porque estão esperando algo extraordinário no mundo espiritual acontecer para, só depois, começarem a viver o chamado.


​Mas a verdade é que Deus nos treina e nos forja no calor das pressões e nas tarefas simples e até repetitivas do dia a dia. Porque o extraordinário apenas vem à tona quando rompemos com o medo e começamos a fazer aquilo que está ao nosso alcance executar e que, aparentemente, é simples e pequeno (Zacarias 4:10).


​Theodore Roosevelt, o 26.º presidente dos EUA, certa vez disse: "Faça o que você pode, com o que você tem, no lugar onde você está."


​Até quando deixaremos o medo de não dar certo nos parar? Até quando nos compararemos com os outros? Por que não mudamos de emprego quando o atual está indo de mal a pior e está nos fazendo mal? Claro, faça tudo debaixo de uma orientação divina (Provérbios 3:5-6). Por que não começamos um projeto que arde em nosso coração e que há tempos está engavetado?


​O que nos impede de tentarmos algo novo, mesmo nos decepcionando com aquilo que saiu do nosso controle e deu errado? Quem disse que tal coisa não é para nós quando o Autor da nossa história, Jesus Cristo, é quem já escreveu o nosso destino (Salmos 139:16)?


​É na rotina do dia a dia que a nossa fé está sendo treinada, a resiliência torna-se mais forte e a nossa mente vai aprendendo o valor de confiar naquilo que o Eterno Deus falou conosco. E, se Ele falou, então, nos céus, essa palavra é mais que realidade e já aconteceu (Isaías 55:11). Apenas: "Faça o que você pode, com o que você tem, no lugar onde você está." — Theodore Roosevelt, 26.º presidente dos Estados Unidos.


​Todo processo que enfrentamos, de alguma forma, expõe nossas fraquezas, debilidades e o quão necessitados somos da cura e de favores divinos (Salmos 40:17). O processo, por vezes, nos deixa limitados, e existe um raio de ação que, aos olhos humanos, não é muito favorável para se trabalhar; mas é nele que estamos autorizados a nos movimentar. Não adianta forçar a saída deste raio de ação, pois é dentro deste lugar, o anonimato, que a nossa estrutura emocional, espiritual e até mesmo física está sendo preservada.


​Queremos fugir do processo porque dói. A cada ataque que sofremos, seja espiritual ou emocional, sentimo-nos cansados, esgotados, sobrecarregados, esmagados. É neste processo de esmagamento que nosso caráter é tratado, moldado ao modo de vida de Cristo (João 3:3), para que toda impureza e escória que há em nós, por meio das pressões e adversidades, sejam arrancadas do nosso ser (Provérbios 25:4).


​Tenha calma e confie no Deus que, ao revirar a nossa terra, Ele mesmo a aduba com os nutrientes celestiais. Quando a terra está pronta, então é neste lugar que a semente que Ele plantou em nós começa a se desenvolver (Mateus 13:23). Sim, este processo de desenvolvimento inicia-se para baixo, no lugar oculto, e ninguém pode ver que as raízes, a cada pequeno crescimento, ficam mais fortes e vão cada vez mais fundo para sustentar toda a estrutura de crescimento da árvore (Mateus 6:6).


​Quando a árvore, enfim, cresce e se desenvolve, dando frutos para todos aqueles que estão à Sua volta saborearem, então Aquele que começou a boa obra em nossa terra diz que é hora de podar nossos rebentos (brotos) desnecessários, para que venhamos a dar cada vez mais frutos, deixando-nos livres de qualquer mistura com aquilo que é falso (João 15:1-2).


​Deus não nos chamou para estacionar no lugar onde Ele nos fez chegar. Deus requer mais entrega e obediência, porque o Seu desejo é nos promover para expressar a Sua glória na Terra. A vida com Deus é dinâmica, com preparação, crescimento e avanço (Provérbios 4:18).


​Agora, perceba que o texto diz que Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça. Vejamos seus significados:


​Sabedoria: "conhecimento e prática dos requisitos para vida devota e justa." (N.º Strong G4678)


​Estatura: "de um estágio próprio alcançado para algo." (N.º Strong G2244)


​Graça: "condição espiritual de alguém governado pelo poder da graça divina." (N.º Strong G5485)


​Agora, por que Jesus crescia, primeiro, em sabedoria, depois em estatura e, por último, em graça? Porque tudo o que Deus faz, principalmente em nós, é por etapas (Eclesiastes 3:1).


​A missão dada a Jesus pelo Pai requeria que o nosso Mestre entendesse, na íntegra, o porquê de Ele cumprir todas as etapas de Sua vida terrena: gestação, nascimento e crescimento, até que pudesse ser batizado por João Batista para cumprir o Seu chamado (Mateus 3:13-17).


​Lucas foi bastante intencional em sua abordagem textual, porque, quando ele diz que Jesus “crescia” (προέκοπτεν), não está falando de um crescimento automático. Está dizendo que houve processo. Houve desenvolvimento progressivo. Houve movimento intencional. Houve avanço contínuo.


​Agora, quando o autor e médico Lucas escreveu sobre o fato de Jesus crescer em "estatura", ele estava querendo nos transmitir a seguinte mensagem: Jesus não apenas se desenvolveu cronologicamente da infância à fase adulta. Ele não apenas tinha altura, porte corporal e aparência física proporcional ao crescimento. Jesus passou por todas as fases, obtendo maturidade em todas elas, crescendo de forma adequada ao propósito que o Pai tinha para Ele.


​Jesus era emocionalmente equilibrado, socialmente saudável e com uma formação humana completa.


​A palavra grega para "estatura" é "helikia", que significa maturidade progressiva; ou seja, todas as fases de crescimento andam e se desenvolvem juntas, e não de forma defasada. É por isso que Jesus viveu todas as etapas que o Pai havia estabelecido para Ele dentro do processo. E não adiantava Jesus querer mudar de nível se Ele ainda não acompanhava a nova fase de aprendizado que o Pai requeria que Ele aprendesse.


​Estatura nos remete a alguém que alcançou um estágio próprio para desempenhar um propósito específico; e este estágio se concretizou na cruz quando o nosso Salvador se entregou voluntariamente para que, por meio do Seu sacrifício, pudéssemos ter o nosso relacionamento com o Pai restaurado (Romanos 5:10).


​Todas as pressões do processo foram uma preparação para as pressões do propósito que Cristo haveria de cumprir; e tudo o que Jesus enfrentou do Getsêmani até a crucificação (Lucas 22:41-44), Ele havia sido treinado desde o momento em que enfrentou a Sua primeira perseguição (Mateus 2:13).


​Se Jesus não tivesse passado por pressões ao longo de Sua vida nem aprendido a se adaptar a elas, quando chegasse o momento de entregar-se na cruz, Ele simplesmente não aguentaria o peso do cumprimento do propósito.


​E, mesmo sendo experimentado e treinado durante três anos e meio, combatendo contra os religiosos de Sua época e contra muitos que queriam a Sua morte, ainda assim, a pressão foi tanta que Seu suor transformou-se em sangue e Jesus pediu ao Pai que, se fosse possível, aquele sofrimento se afastasse d'Ele (Lucas 22:42).


​Entenda algo: Deus nunca entregará em nossas mãos a grandiosidade de um propósito sem antes passarmos pela pressão de um treinamento. Quando Deus quer nos mudar de nível, Ele permite que soframos pressões. Mas Deus é um bom treinador. As pressões são gradativas e na exata medida em que aprendemos a crescer com elas (1 Coríntios 10:13).


​Jesus enfrentou rejeição e incredulidade (João 7:5; Marcos 6:4). Foi abandonado pelos discípulos, chamado de endemoninhado, blasfemaram contra Ele e disseram que era comilão e beberrão (Mateus 11:19). Foi desprezado socialmente, questionado constantemente, desonrado pelos religiosos (Lucas 5:21). No Gólgota, foi espancado, cuspido, coroado com espinhos e exposto praticamente nu na cruz (Mateus 27:26-31).


​Jesus viveu três estágios do propósito: exposição, confronto e entrega. E cada nível de sofrimento foi um ajuste estrutural para o próximo nível que Ele viveria.


​O processo de ser moldado dói. Crescer é doloroso. Alcançar a maturidade nem sempre é fácil. Às vezes, os nossos "músculos emocionais" estão sendo esticados e a nossa estrutura interna é levada ao limite em situações estressantes e dolorosas que desafiam até mesmo a nossa fé e perspectiva de enxergar as coisas (1 Pedro 1:6-7).


​Mas, ainda que enfrentemos tamanha oposição das circunstâncias da vida, creio que em tudo há um propósito maior que rege a nossa vida e nos prepara para vivermos coisas extraordinárias. São propósitos que foram estabelecidos pelo Eterno. (Romanos 8:28)


​Acredito firmemente que até aquilo que aparentemente parece estar acima da nossa capacidade de suportar e que parece nos esmagar está servindo de propósito para nos moldar ao modo de vida de Cristo e nos aperfeiçoar para uma grande obra.


​Se você está neste processo de esmagamento e, ao mesmo tempo, de estruturação interior, não é o momento de parar. Pode parecer frase de efeito, mas a verdade é que Deus está usando as circunstâncias da vida para podar tudo o que está demais em você, preparando-o para novos níveis de propósito.


​Jesus passou por situações desafiadoras, situações extremas que testaram Sua fé e estrutura interior até o limite, mas Ele não se deixou parar por causa das circunstâncias que lhe eram contrárias e desfavoráveis, porque, ainda que o Seu exterior pudesse estar se desgastando pelas lutas, o Seu interior era renovado dia após dia por aquilo que carregava dentro de Si: uma fé inabalável e confiança no Pai (2 Coríntios 4:16).


​Hebreus 12:2 diz: "Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus."