Fortalecidos pela graça - Vencedor Pela Palavra

Fortalecidos pela graça

Publicado em 29 de dez. de 2025

Fortalecidos pela graça

 

Fortalecidos pela graça


2 Coríntios 12:8-9: "Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim. E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo."


Se quisermos continuar superando as adversidades que acompanham a vida diária, a força será necessária em nosso espírito, alma e corpo para não sucumbirmos, mas prosseguirmos caminhando debaixo de um propósito maior: o propósito de Deus para nós (1 Tessalonicenses 5:23; Romanos 8:28).


Mas, na força do braço, nada podemos. Na força humana, estamos fadados ao fracasso. O braço humano é limitado, e a Bíblia nos orienta quanto a essa questão (Salmos 127:1; João 15:5). Jeremias 17:5 diz: "Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do Senhor!"


Jeremias está dizendo que maldito é o homem que confia na própria força humana. Braço, aqui, é sinônimo de força (Isaías 31:1). Então, aquele que confia e se apoia na força do próprio braço, ou seja, em sua própria capacidade e inteligência, vai muito mal. O tal é amaldiçoado (Provérbios 3:5-7).


Esse tipo de confiança exagerada em si mesmo faz com que o indivíduo trilhe um caminho que o levará a afastar-se do Senhor, como diz o profeta Jeremias (Jeremias 17:5; Provérbios 14:12). É um caminho sem volta, e agir desta maneira é, simplesmente, rejeitar o Criador Deus Todo-Poderoso: seu conselho, proteção, direção e salvação (Isaías 30:1; Salmos 81:11-12).


Agora, veja: os homens se revoltam contra Deus e blasfemam o Seu bom nome (Romanos 1:21-23). Seguem os seus próprios destinos, ferem-se a si mesmos emocionalmente e espiritualmente (Jeremias 2:13), frustram-se por causa dos caminhos que resolveram seguir (Provérbios 13:15), para só depois descobrirem que não podem ir muito longe sem Cristo (João 6:68).


No livro do apóstolo João 15:5, Jesus diz: "[...] Sem mim nada podeis fazer".


No contexto desse versículo, Jesus usa uma metáfora da botânica e da agricultura, algo puramente terreno para exemplificar verdades totalmente espirituais. Ele diz aos seus discípulos e também a nós que, assim como o ramo não pode dar fruto sozinho se não permanecer na videira, nós não poderemos frutificar se não estivermos em Cristo (João 15:1-4).


E não podemos frutificar com razão, porque, de igual modo, assim como no exemplo da videira, Cristo é aquele que nos fornece o Seu poder para vivermos, respirarmos, nos movimentarmos e levantarmos todas as manhãs (Atos 17:25; Colossenses 1:17). É Ele quem nos livra da morte, sustenta a nossa vida e nos dá a capacidade para seguirmos em frente (Salmos 66:9; Jó 12:10).


A Bíblia é muito clara quando diz respeito à falibilidade e à pequenez humana em relação ao Deus criador dos céus e da terra. No livro dos Salmos 103:19, está escrito: "O Senhor tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo."


Se o reino de Deus domina sobre tudo, logo, estamos inseridos debaixo desse contexto de que existe um Rei supremo que estabeleceu um Reino inabalável e que é mais poderoso do que a nossa própria força e mais sábio do que a nossa própria sabedoria (1 Coríntios 1:25; Daniel 4:34-35).


Em toda a narrativa bíblica vemos um Deus grandioso que age e tem influência e domínio tanto sobre aquilo que é espiritual quanto sobre aquilo que é humano e natural (Salmos 115:3; Colossenses 1:16), provando que somente por meio dele é que temos uma vida abundantemente melhor (João 10:10).


Aqueles que, por livre arbítrio, se afastam de Cristo, rejeitando-O, são os mesmos que passarão a estar sob suas próprias responsabilidades (Romanos 1:28). Já que não querem prestar obediência ao Senhor, e Deus não força ninguém a servi-LO (Josué 24:15; Apocalipse 3:20), então, os tais terão um caminhar cheio de incertezas e um futuro sem esperança (Efésios 4:18; Provérbios 11:7).


Eis uma verdade: Evangelho não é pra todo mundo. Evangelho é pra quem quer. E Jesus nos apresenta tal verdade em Mateus 16:24, quando diz: "[...] Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me."


Preste atenção: Jesus não vai ficar implorando a atenção de ninguém (Mateus 23:37). A proposta do evangelho é simples: quer seguir a Cristo, tem salvação e vida (João 3:16; João 10:28). Não quer o evangelho, mas prefere andar após seus próprios caminhos, fazendo o que bem entender. Cuidado! Um caminho de destruição e morte pode ser o que se apresentará (Provérbios 14:12; Romanos 6:23).


1 João 5:11-12 diz: "E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida". (ACF)


Ou decidimos segui-LO e amá-LO voluntariamente, entendendo que somos necessitados e dependentes do Criador que nos fez (Salmos 100:3; João 15:5), ou seremos os maiores prejudicados por rejeitarmos o dono da vida (Atos 4:12), aquele que sabe todas as coisas e já contemplou o nosso presente e futuro (Isaías 46:9-10). O caminho do homem sem a presença e orientação de Deus é a porta de entrada para a destruição de si mesmo (Provérbios 1:32).


Ao analisarmos a Bíblia, veremos exemplos de homens que reconheceram que sem Cristo não poderiam ir muito adiante e que não conseguiriam vencer os desafios que se apresentavam, longe dele (João 15:5; Salmos 127:1).


"Moisés, em Êxodo 33:15, disse a Deus: 'Se a tua presença não for conosco, não nos faças subir daqui.'"


O rei Salomão, em 1 Reis 3:7-9, disse: "Eu sou ainda menino pequeno; não sei como sair nem como entrar... Dá, pois, ao teu servo um coração entendido para julgar o teu povo [...]".


O rei Davi, em Salmos 51:11-12, diz: "Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo. Torna a dar-me a alegria da tua salvação e sustém-me com um espírito voluntário."


O apóstolo João, em seu evangelho, no capítulo 6:68, cita as palavras de Pedro falando a Jesus: "Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna."


O apóstolo Paulo, na sua segunda carta aos Coríntios 12:9-10, diz: "Portanto, de boa vontade me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo... porque, quando estou fraco, então sou forte."


O próprio Jesus, nosso líder máximo, nos deixou o exemplo de alguém que, apesar de ser Deus encarnado em homem, não usurpou o lugar de Deus (Filipenses 2:5-7), mas ao seu Pai celestial dava-lhe a honra e a glória devidas (João 8:49) e demonstrava sua dependência em relacionamento todas as vezes que se punha a consultar o Pai em oração (Marcos 1:35; Lucas 5:16).


Se todos esses exemplos demonstram que é de Deus que vêm a força, a direção, o livramento, a vitória, a salvação, o fortalecimento, a libertação, a capacitação e a sabedoria para conduzirmos melhor a nossa vida (Salmos 28:7; Provérbios 2:6; Isaías 40:29), por que a humanidade ainda insiste em viver longe do Eterno?


Provérbios 14:12 diz: "Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte."


A palavra caminho (H1870) nesse contexto de provérbios fala sobre direção, modo de vida, hábitos para os quais esse caminho leva — seja vida ou destruição (Salmos 1:6; Jeremias 21:8). A palavra caminho (Derek – H1870) no hebraico também deriva da raiz verbal (Darák – H1869), que significa pisar, trilhar ou andar (Salmos 119:1; Isaías 2:3).


Respondendo à pergunta anterior: por que a humanidade insiste em viver longe do Eterno e andar por um caminho que muitas das vezes parece o correto, parece direito, mas que, no fundo, a leva para a destruição? A resposta está na própria palavra.


Veja: No livro do apóstolo João 3:19 está escrito: "E a condenação é esta: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más."


Quando amamos mais uma coisa do que a outra, esse contexto me comunica que damos maior grau de importância àquilo que temos desejado e pomos em primeiro lugar tudo o que satisfaz os nossos próprios desejos interiores em detrimento do que é bom e verdadeiro, que, neste caso, é Jesus Cristo (Mateus 6:21; Colossenses 3:1-2).


Veja: Jesus disse que "[...] os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más." (João 3:19)


Quando Jesus diz "homens", Ele está falando do [ser humano, homem ou mulher] (nº de Strong G444) (Atos 17:30; Romanos 3:23).


Uma outra coisa muito importante é que Jesus não necessariamente fala somente a respeito dos não religiosos, os ímpios e suas atrocidades e impiedades, os homens mundanos (Efésios 2:1-3). Ele também estende sua exortação aos que professam e usam da religião (Mateus 23:27; Marcos 7:6-7).


Isso aconteceu com os judeus da época de Jesus. João 1:11 diz: "Veio para o que era seu, e os seus não o receberam."


O povo que mais deveria amá-LO foi justamente o que mais O odiou, perseguiu, maltratou, humilhou e O cravou em uma cruz (Mateus 26:3-4; Atos 2:23). Isso prova que não basta pertencer a uma determinada religião e apenas cumprir meros ritos exteriores disfarçados de adoração sem deixarmos que haja uma transformação verdadeira em nosso interior (Isaías 29:13; Romanos 2:28-29).


Acredite: Jesus irá voltar e levará consigo para o céu aqueles que pertencem a Ele (1 Tessalonicenses 4:16-17; João 14:1-3). Não falo de rótulo denominacional, nem desprezo os que estão fora desse rótulo. No dia do arrebatamento haverá muitas surpresas (Mateus 7:21-23).


Verdade seja dita: o fato de estarmos frequentando um templo não nos torna aptos à salvação (João 4:23-24); e os que estão afastados dele não os impedem de serem salvos (Romanos 10:13). É bom estar congregado, reunidos como igreja (Hebreus 10:25), mas Deus olha para aquele que tem o coração humilde e contrito (Salmos 51:17), não para quem frequenta a "igreja" ou deixa de frequentar (Isaías 29:13).


É hora de acordarmos! Jesus vem! (Apocalipse 22:12). Que nos arrependamos dos nossos pecados e das nossas obras más diante de Deus (Atos 3:19; Apocalipse 2:5).


O nosso erro é acharmos que continuaremos a viver as nossas vidas diárias, atravessando as muitas adversidades que vêm contra nós, sem o auxílio de Deus (Salmos 46:1; João 15:5).


Ah! Leandro! Mas Deus é meu Senhor. Deus é meu auxílio. Deus é a minha força. O meu libertador. Aquele que me dá vida e me faz seguir adiante (Salmos 18:2; Isaías 41:10; Salmos 121:1-2).


Escute: falar de Deus não é o mesmo que falar com Deus. Ter consciência de quem Deus é não é o mesmo que experimentar na íntegra e provar desse relacionamento (Tiago 2:19; João 17:3).


Saber que Deus nos entende, sabe das nossas dores e conhece a verdade do nosso coração e também a impureza dos nossos pecados não é o mesmo que apresentar tal realidade da nossa vida diante do altar do Eterno (Hebreus 4:15-16; Salmos 139:1-4).


Quando pensamos que continuaremos a viver nossas vidas sem o auxílio de Deus? Isso se revela implicitamente quando não oramos (1 Tessalonicenses 5:17; Jeremias 29:12), quando deixamos de meditar na Palavra (Salmos 1:2-3; Josué 1:8), quando temos tempo para realizar tantas outras coisas, mas nem o mínimo oferecemos a Deus (Mateus 6:33; Apocalipse 2:4).


A verdade é que Deus está clamando. A sabedoria está clamando (Provérbios 1:20-23), mas não prestamos atenção à Sua voz porque estamos demasiadamente cheios de vozes internas e barulhos externos capazes de suprimir e sufocar a voz do nosso Senhor dentro de nós (Lucas 8:14; João 10:27). Os cuidados desta vida têm deixado a palavra de Deus infrutífera em nosso interior (Marcos 4:18-19).


Sabe quando, de fato, buscamos a Deus? Quando as coisas apertam. Quando estamos mal. Quando não mais suportamos os processos da vida. Quando estamos aflitos e angustiados, quando não vemos mais saída e direção, então buscamos a força e direção de Deus (Salmos 34:19; Salmos 107:6; 2 Coríntios 1:8-10).


A verdade é que não estou na posição de perfeito, nem quero assumir tamanho lugar de prepotência e arrogância, como se eu fosse melhor que você, leitor. Jamais farei isso. Sou tão dependente da graça quanto você e sua família o são (Efésios 2:8-9; Romanos 3:23-24). Deus é o nosso refúgio e fortaleza, e se corremos para Ele em tempos de angústias, significa que sabemos quem Deus é: um Pai misericordioso e compassivo, que não nos trata segundo os nossos pecados nem consoante as nossas iniquidades (Salmos 46:1; Salmos 103:8-10; Lamentações 3:22-23).


O que estou dizendo é que em nosso interior é preciso termos um tipo de despertar capaz de nos fazer entender que não importa a dor, a situação contrária, os percalços e pedras que dificultam o caminho, ou seja, seja lá como estejamos nos sentindo em determinados momentos, ainda assim, buscaremos e louvaremos ao Senhor (Habacuque 3:17-18; Jó 1:20-21). Porque O louvamos e O adoramos não por aquilo que sentimos, mas por crermos na verdade de quem Ele é (João 4:23-24; Hebreus 11:6).


O cristão consciente dos seus deveres para com Deus e si mesmo entende que é preciso manter o relacionamento com o Pai diariamente, porque, se o relacionamento acaba, é porque não existe mais lenha para manter o fogo do Espírito aceso (Levítico 6:12-13; 1 Tessalonicenses 5:19; Romanos 12:11).


Mas para que isso aconteça, na fase da frieza espiritual, primeiro passamos pela fase de mornidão, que é aquele tipo de relacionamento com Deus em que há indiferença da nossa parte (Mateus 24:12). Sim! A palavra "morno" no grego aponta para a [condição da alma que flutua indignamente entre a indiferença e o ardor em relação ao amor] (n° de Strong G5513).


Jesus, direcionando sua exortação às igrejas da Ásia, disse a uma delas: "Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca." (Apocalipse 3:15-16)


Só que ninguém se torna morno da noite para o dia. Para ser morno, a indiferença tem que estar presente; e, se posso fazer uma aplicação para esta palavra, ser indiferente é dar lugar à irresponsabilidade (Hebreus 2:1-3; Provérbios 19:15).


Uma pessoa irresponsável é alguém que tem falta de compromisso com as coisas sagradas e com ela mesma (Mateus 25:1-13). Essa pessoa simplesmente negligencia suas tarefas e deveres que deveriam ser cumpridos (Provérbios 6:9-11).


Alguém que é indiferente não ora mais (Lucas 18:1). Agora, ela precisa sentir vontade de orar, ou um toque super especial do Espírito Santo, talvez aquele "arrepio gospel" ou algo parecido. Ela não mais se fortalece no jejum para fazer "morrer" a sua natureza carnal (Mateus 17:21; Gálatas 5:24) e passa dias, semanas e até anos sem ler e meditar na única coisa pela qual a manterá de pé, fortalecida e cheia de esperança: a palavra de Deus (Salmos 119:105; Romanos 15:4).


Não falo de estar dentro ou fora de um templo, frequentando-o. Não falo de cargo eclesiástico e de assumir ou deixar de assumir funções dentro do templo. Sei que temos responsabilidades uns com os outros e devemos expressar o amor de uns para com os outros (João 13:34-35; Gálatas 6:2); inclusive, Jesus disse aos seus discípulos: "[...] A seara é realmente grande, mas poucos são os ceifeiros (trabalhadores). Rogai, pois, ao Senhor da seara, que mande ceifeiros (trabalhadores) para a sua seara." (Mateus 9:37-38)


Trabalhar para Deus é bom. Saber que o nosso trabalho dentro do Reino não é vão no Senhor é maravilhoso (1 Coríntios 15:58). Só que há um porém: a seara está apontando para a nação de Israel e, mais tarde, Jesus referiu-se também ao mundo inteiro (Mateus 28:19-20; Atos 1:8). Isso me remete a algo: nosso trabalho como discípulos do mestre não é só dentro do templo, mas, principalmente, fora dele (Mateus 5:13-16).


Se somos fortalecidos pela graça, e se deixamos que esta graça nos alcance e nos revire por dentro, transformando a nossa mentalidade (Romanos 12:2; Tito 2:11-12), então entenderemos que, onde estivermos, o poder de Cristo nos alcançará (Efésios 3:16-17); e caminharemos debaixo de um pensamento centrado em Jesus (Colossenses 3:1-3), sabendo que não é pelo fato de O servirmos de domingo a domingo no templo que agora, por causa deste nosso trabalho e esforço, Ele expressará o Seu favor (Lucas 17:10), mas que o nosso relacionamento com Ele nos manterá de pé até que Ele venha (Mateus 24:13; Judas 1:21).


"Deus não precisa da sua força: Ele tem poder mais do que suficiente. Ele pede a sua fraqueza... para usá-la como instrumento em Sua própria mão poderosa." (2 Coríntios 12:9; Isaías 40:29)


"Aproxime-se de Deus, pois a força flui d'Ele. Mantenha distância dEle e você perderá todo o poder e se tornará fraco como a água."

(Tiago 4:8; Jeremias 17:7-8)


Charles Spurgeon (1834–1892)